Meninos, meninas e similares. Calípigios e onanistas,
Não. Eu não vou explicar os dias de jejum. Não vou explicar onde estão as outras Does. Digamos que recolheram panelinhas, como naquela cena linda do filme A Partilha. Caso encerrado.
Como diria Lourenço dO Cheiro do Ralo, a vida é dura. Acrescento que, quando você é um ser com propensão para histórias fantásticas, isso torna-se uma verdade líquida e certa.
E eu sou um desses seres. A bola da vez foi a minha noite mal dormida no Flor da Guapira, um hotel. Mas é daqueles hotéis que têm o nome escrito com um H torto, bem esquisito, quase um M.
Explico como fui parar lá: por uma daquelas traquinagens do Negrinho do Pastoreio, saí de casa ontem sem chave. Claro que só descobri isso onze horas depois, na porta, trancada para for a.
Pensamento rápido, quais as opções? Antes de qualquer coisa, sentar no meio da vila e fumar. A combinação perfeita nos momentos de crise é fumar e esgotar meu estoque de palavrões, mentalmente. Ajuda a aumentar a quantidade de sangue no meu cortisol. Feito isso, preciso ligar para alguém. Nessas situações você tem que ligar para alguém, mesmo que não haja nenhum efeito prático. Ligo para Sister Doe – também porque precisava dar um recado à ela.
Nina atende, e eu: ‘Se eu gritar você me escuta? Diz que escuta, eu preciso gritar.’
Nina: ‘Meu, pára, o que aconteceu?’
Eu: ‘Tô trancada pra for a, sem chave, acabou meu dinheiro, vou entrar no cheque especial, você não falou comigo direito mais cedo, não tenho para onde ir, o dia não foi como eu queria, tô cansada, queria entrar em casa e ir comer brigadeiro de panela, porque prometi para mim que faria isso hoje. Buáááááá’.
Nina: ‘Calma, vamos pensar no que fazer. O táxi que te deixou aí já foi embora? Você não pode ir pra casa da blábláblá ração whiskas blábláblá… ‘.
Em suma, entre possíveis soluções para a minha catástrofe e conjecturas sobre o novo affair de Sister, resolvemos que eu iria para o Flor do Guapira, dormir com a Baby Doe.
E lá fomos nós. Meu anjo faz hora extra, e mais de meia-noite eu consegui um ônibus no meio da avenida para descer as cinco quadras que separam meu quarteirão do estabelecimento em questão.
Ao chegar, tive de lidar com o espanto do recepcionista, que decerto não entendeu o que aquela mulher estava fazendo ali, bem vestida (é, eu estava bonitinha ontem), carregando uma criança, uma mochila de rodinhas, uma lancheira, uma sacola, uma bolsa e pagando com um cartão que podemos classificar de incomum.
Já no quarto, descubro que o negócio não tem telefone. É, tem um interfone, daqueles jurássicos, para falar com a recepção. Mas telefone mesmo, necas de bitibiriba. Eu precisava avisar ao John Doe onde estava, e à Sister Doe que estava bem. O telefone mais próximo está do outro lado da rua. Adivinha? É, lá vamos nós.
Fomos, fiz as ligações necessárias, voltamos.
Matei um misto quente e uma Coca e pus em prática tudo o que sei de práticas malabares e circenses para evitar que Baby Doe descobrisse o canal pornô. É quase impossível, acreditem. E o que falar da piração dela quando descobriu os botões e acendeu a meia luz de néon roxa do espelho jateado?
De manhã, sete e cinco da matina, peço o café da manhã. Meeeeeeeuuuuu, não vem queijo e presunto. É a primeira vez na vida que vejo isso. E olha que, de café da manhã de hotel eu entendo. Hotel de verdade, hotel meia boca, hotel com H que parece M, hotel de todo tipo.
Olha, o café é gostosinho, o suco é fresco e, no pão, o Henrique (dono da padaria em frente, que eu freqüento desde criança) até poderia ter caprichado mais. Mas, cara, só na manteiguinha é de lascar.
Cabe um adendo aqui. Quer tomar café da manhã de verdade em um hotel? Hospede-se no Belas Artes, centro do Rio. O prédio é patrimônio tombado, tudo lá é lindo. E o café da manhã é bom pra chuchu. E que pão. Pelo amor de Ateu, que pão.
Para encerrar essa história de Flor da Guapira, saí de lá hoje na hora do almoço, não sem antes esperar por John Doe que, dessa vez, atrasou quatro horas. Digamos que isso tudo me deixou ligeiramente…. azeda.
É, a vida é dura. Num dia você dorme no Blue Tree. No outro, no Flor da Guapira. Pelo menos, agora posso dizer que já fui nos dois ícones hoteleiros da Zona Norte. Holiday, em Santana (toda a Zona Norte já foi lá, inclusive os que não admitem. E a nova decoração da fachada – textura amarela, vermelha e azul – merece um post, em momento oportuno) e no Flor da Guapira, habitante do imaginário de todo moleque de minha época, aqui nessas bandas.
Um beijo para o meu pai, pra minha mãe e pra você.
1 resposta Até agora ↓
dindimacadoe // 3 Fevereiro, 2008 às 12:13 am |
Bozoca, vc é foda! Merece o troféu jóinha do ano, por vários motivos, entre eles levar a Baby num Hotel com M e driblar todas as coisas que decorrem disso. Mas antes de trepar, hotéis com M serviam pra pernoitar, tá certíssima. Mas meu….”recolher panelinhas” foi foda, né????