Aventuras macabeuzas

Eu vivo no meu próprio regime Bozolinista

3 Fevereiro, 2008 · 2 Comentários

 

Chuchus,


Uma semana atrasado, mas só terminei hoje…

 Eu não gosto de shopping. Aos finais de semana, arghhh, é a visão do inferno. É estar no inferno. Mas sendo eu uma paulistana, não consigo fugir do que está em meus genes. E lá estava eu, ontem.

Merece nota a passagem pela ótica. Fomos ordenar o óculos de Popi-Pai e registro que ele está  anos rejuvenescido com a nova armação, que tem diametralmente metade da anterior. Portanto, se aparecer algum anúncio no Correio Sentimental assim:  ‘Moreno, gostosão, procura moças, 25-60a para relacionamento sério’, podem desconfiar. Atrás da inocente carta pode estar o gentleman que me gerou.

Fui na mesma ótica de sempre,  em que ainda devo dois pré-datados. Resquícios dos impulsos natalinos. E com a mesma vendedora, Mariana,  que é uma flor e entende muito do que faz. E provei váááários óculos. Incluindo o D&G de pedrarias. 

Provei cerca de seis mil reais em armações. Seis mil. E saí da loja enlouquecida por cada uma delas. Louca, louca, louca. Quem estiver curioso, pode procurar, referências abaixo*. E se você estiver de passagem pelo free shop nos próximos dias, meses, faça essa caridade.

Mas não comecei a escrever para pedir encomenda de free shop. Até porque, só chego nesse ponto de indelicadeza com gente realmente íntima. Eu quero é falar que provei seis mil reais em armações. Se-is mil. Se-is.Se eu vender tudo o que tenho dentro de casa não junto seis mil reais. Se eu pagar um ano de escola antecipado para Baby Doe não dá seis mil reais.  Meu carro não vale seis mil reais.  Mas eu juro, por Ateu, que se ontem seis mil reais estivessem livres e desimpedidos na minha conta corrente (é corrente mesmo, o dinheiro entra e some na correnteza), eu teria comprado cada uma delas.

A questão é que para comprar seis mil reais em óculos, eu precisaria de doze, para fazer jus à uma das minhas teorias sociológicas.

A Veja tem, em grande parte, culpa nessa teoria.
(Não, eu não gasto um puto para ler Diogo Mainardi e Isabela Boscov. Só leio as que caem no meu colo, as da minha tia e as do consultório do endócrino).
Uma vez, eu li, numa daquelas matérias feitas por e para os formadores de opinião dessa nação oca, que um camarada pagou cinqüenta mil reais por uma valise Louis Vuitton para usar como caixa de presente.

 É muito importante que o meu leitor entenda: eu NÂO tenho nenhum sentimento ruim ou socialista, feminista, marxista, fidelista ou qualquer que seja o ´ista´ contra quem gasta dinheiro em coisas desnecessárias. Parto da premissa que dinheiro é fruto de mérito, e  o que fazer do próprio mérito é problema de cada um. O que me faz feliz não é, certamente, o que faz você feliz. Tenho horror a esse papo de sistema, de ricos, pobres, assistencialismo, paternalismo e coisas afins. Ainda posto minhas considerações sobre isso, para clarificar.

 Voltando à vaca fria, essa passagem me fez teorizar. Putz,  se o cara está gastando isso só com a caixa de presente, que mal haveria em fazê-lo gastar igual soma com alguma coisa mais, hum… altruísta.

Vamos colocar os fiéis na balança… Parte é suposição, empirismo, parte é fato.
Primeiro: Dinheiro sobra nesse bolso.
Segundo: A valise não é artigo de primeira, nem de segunda, nem de terceira e provavelmente nem de septuagésima nona necessidade.
Terceiro: Cinqüenta mil reais são suficientes para arcar com seiscentos e vinte e cinco meses de um convênio médico mediano para uma criança; ou ainda para comprar uma casa em um bairro marromeno; ou para arcar com novecentas e nove mensalidades de um curso universitário; ou quatrocentas e vinte e sete mensalidades do curso Kids do Cultura Inglesa; ou ensino fundamental completo em uma escola particular do tipo ´classe média´.

 Ou seja, há uma infinidade de maneiras realmente úteis de se gastar cinqüenta mil reais. Da mesma maneira que, para mim, haveria um sem número  de maneiras interessantes de despender esses seis mil reais.
Assim, decreto que só compro os seis mil reais em armações quando outros seis estiverem dando sopa no meu bolso. Sem pretensão de Midas, sem ego, sem nada. Sem pretensão de justiçar o mundo com as próprias mãos.

Fazendo par com essa teoria, acho que, quando você vai oferecer alguma coisa, tem que ser o mesmo que você usaria, que você tomaria para si, para seu filho. Meu lema, ou que nome se queira dar é: se não serve para mim, se não serve para minha filha, então não serve para ninguém.

Eu não uso roupa furada, manchada. Então por que deveria dar as minhas roupas furadas e manchadas para alguém? Lixo é lixo e deve ser tratado como tal. Presente é presente e deve ser tratado como tal.  
Uma coisa não pode ser maquiada como se outra fosse.

 Engraçado que, para completar a loucura toda, eu sou alguém que não dá cigarros na rua, nem trocadinho no farol, nem ajudinha para a passagem de ônibus, nem para comprar um quilo de feijão. Nada disso. No tocante à cigarro, a culpa é quase toda de minha mãe, ela me ensinou que se você quer fumar o problema é seu, desde que você possa pagar por isso; no tocante às outras coisas, é porque eu acho que o caminho não é esse, é porque não incentivo o que não me agrada. As raízes desse meu comportamento têm origem no mesmo lugar de onde saem aquelas que me impedem absolutamente de comprar qualquer coisa sem nota fiscal, em camelôs, contrabando ou roubada. Outro dia eu explico. Faço um tratado sobre a origem das minhas convicções largamente aplicadas no meu cotidiano e boto aqui, para visitação e execração pública.

 Ufa! Chega desse papo, não saio candidata à nada nas próximas eleições, não estou a fim de comício a essa hora. É muita metafísica às quatro e doze da manhã, especialmente para alguém que mal dormiu.

 Beijo, tchau. Vou dormir pensando se fico bem em uma armação Prada de pedrarias.

 *Mont Blanc MB134S cor 371; Prada VPR191 1AB101 Black; Bvlgari 473B*828*51; Gucci GG2584; Bvlgari BV4006B*855*52.

 

 

 

 

 

 

 

 

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2 respostas Até agora ↓

  • Abel // 3 Fevereiro, 2008 às 7:10 pm | Responder

    Olá!
    Reflexões interessantes rsrs
    Eu ainda acho que dinheiro não é só fruto de mérito. Há sorte, eventualidade… e outras cositas mas…
    rs

    Abçs,
    Abel

  • dindimacadoe // 3 Fevereiro, 2008 às 11:25 pm | Responder

    Este texto está impagável, Bozoca. Você queria falar de seis mil reais, acabou entrando em uma discussão fudadidamente pós-marxista-anti-neo-liberal-cor-de-rosa-flamingo-boxer.
    Nem vou falar das minhas opiniões sobre isso porque ando UTI (Um Tanto Indefinida” em assuntos relacionados ao “sistema”). Se eu as soubesse agora, certamente eu as colocaria aqui. Beijão com saudades!

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