Aventuras macabeuzas

Entradas do Março 2008

A descoberta do mundo

3 Março, 2008 · 4 Comentários

Ou

Sou uma Mãe incompetente

 

Baby Doe chegou em casa portando as primeiras provas oficiais que fez.

Eu estava ansiosa desde a data das avaliações. Ansiosa pelos resultados, ansiosa pela reação dela e sem muita expectativa de notas, porque não é fácil ser mãe de um gênio. Gênios só fazem o que querem e quando querem. Vai que nos dias de avaliação ela acordou em um dia ´não quero, não faço´…

Peguei as folhas todas e comecei a devorar. Um 10 em História, um 9,5 em Português, um 7,8 em Matemática (em alguma coisa ela tinha que puxar a mim). Fiquei feliz, claro. Sou mãe, sou mortal.

Baby Doe é que não se mostrou tão feliz assim. Está chateada, porque tirou dez e não cem. Quer uma nota cem, dez é pouco (é, admito, praticamente uma Bozolina em miniatura, buscando a perfeição).

Eu ainda não sei se Baby Doe é uma sortuda ou uma azarada. Talvez, os dois.
Eu a cobro horrores quando o assunto é escola, mas não represento vinte por cento da cobrança de meus pais, quando eu era o personagem filha da História.

 

Minha Mãe não me ensinou a lavar louça, cozinhar arroz, fazer bolo. Nunca permitiu que fizéssemos serviços domésticos. Só tínhamos uma obrigação: estudar. E fazer isso direito, com perfeição.

Eu nunca tive medo de provas. Porque a prova aplicada em sala seria, certamente, mais fácil do que as intermináveis horas de chamada oral em casa.

Éramos absolutamente proibidos de fazer contas e tabuadas nos dedos. Tinha de ser de cabeça. E rápido.

Cadernos de caligrafia? Eu calculo em uns vinte para cada filho, preenchidos completamente da primeira linha da primeira página à última linha da última página.

Importante dizer que nunca houve uso de força física ou psicológica por parte de meus pais. Estudo fazia parte da rotina de todos nós, tão normal quanto tomar banho e ir à padaria.

E eu sou uma incompetente. Jamais vou conseguir dedicar tamanho esmero à Baby Doe. Em parte, porque o tempo é escasso. Oito horas semanais para dormir, incontáveis horas trabalhando, setenta e duas horas semanais nos deslocamentos por essa cidade maluca e por aí vai. E também porque não tenho o dom de minha Mãe, não acho que eu seja uma Mãe profissional. Pelo contrário, fico desesperadamente procurando um manual de instruções para Mães.

E ele não existe. Meu irmão costuma dizer, se não está no Oráculo, não existe.

Você encontra instruções detalhadas sobre troca de fraldas, alfabetização, brincadeiras para desenvolver isso e aquilo. Mas não encontra nada que fale como lidar com o DNA que só a sua cria tem, que lhe ensine como gerir as crises egocêntricas, de identidade, de paladar e de sono que só uma pessoinha no mundo tem.

Tendo criado a minha maneira de exercer esse papel, tenho um deleite especial em vê-la descobrindo o mundo. E é inevitável associar com as minhas próprias.

Passo um tempo enorme pensando nos paralelos entre uma coisa e outra. E o dobro de tempo tentando calcular a melhor maneira de lidar com todos os mundos que ela ainda irá conhecer.

Não tenho idéia de como vai ser. E nem quero saber. Eu descubro meu universo, todos os dias e assim é e será com ela. E há ainda um terceiro mundo, a mistura do que veremos juntas.

De verdade, eu só espero que a expedição dela seja tão prazerosa quanto a minha foi e é.

PS.: Antes que alguém ache que minha infância foi um porre, esclareço que toda a gratidão existente em mim está direcionada aos meus pais, e à maneira como eles nos formaram.
Costumo brincar que, poderia faltar arroz e feijão na casa de meus pais, mas livros jamais!

 

Um beijo para meu Pai, pra minha Mãe, para Baby Doe (parabéns pelas notas, well done!), para todo mundo com o dom supremo de educar e para você.

 

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Hoje é o dia de meus anos.

3 Março, 2008 · 1 Comentário

Meninos e meninas, Chega dois dias atrasados. Meu presente incluiu folga da net.

Hoje é o dia de meus anos. É uma coisa muito esquisita essa de aniversário. Você espera ansiosamente pelo dia em que o Sol vai nascer só para você. Você espera pelas vinte e quatro horas desenhadas e dedicadas pelo Universo para você.

Eu adoro o dia de anos. Não só o meu, mas o de todo mundo. É dia de celebrar a Vida. É sinal de que você sobreviveu à mais um ano. Que passou vivo pelos últimos trezentos e sessenta e cinco dias. Ao mesmo tempo, tem uma inquietude nisso tudo. Eu não posso me dar os presentes que gostaria. Nem mesmo dormir. Eu havia me prometido a manhã e a tarde inteira de sono, mas eu só saio da cama cedo para duas coisas: ganhar dinheiro e ganhar um trato na carcaça. Pois bem, a Amiga Doe que vai me dar um trato na carcaça resolveu marcar para as dez e meia da manhã. E ficou indignada quando eu disse que esse horário é madrugada.

Dia de anos tem gosto de medo e de prazer. Tem gosto de lembrança e de futuro. É a sua segunda oportunidade de se dar um Feliz Ano Novo! E essa esperança louca, essa crença infantil de que mudar um digíto vai mudar nossas vidas?

Em algum lugar dentro de nós está guardada a certeza de que no espaço contido entre 23:59 e 00:01 cabe uma revolução, cabe um transbordamento de novos Eu´s. Que porque o sino bateu as doze badaladas vamos ser mais poupadores, menos preguiçosos, mais gentis, menos ranzinzas, menos glutões.

Eu sinto que um quarto de século merece uma carta de intenções. Vou tecê-la. Quando bater vontade. Vou guardá-la e fazer tudo errado e ao contrário. Como uma espécie de seguro do bom humor. A carta de intenções será minha apólice e, ao abri-la, daqui a vinte cinco anos, gargalhadas brotarão do papel amarelado.

Um gosto de ternura acompanha as imagens de tenho dos meus aniversários. Dos meus dias de nascer e renascer.

Aos sete. Vejo minha Mãe passando vassoura mágica no carpete verde, antes da chegada dos convidados.

Aos nove. Queria ter ainda a Mônica de borracha, achada por meu pai no dia de meus anos, em tempos de vacas magras. Essa Mônica ainda é dos melhores presentes que recebi, mesmo não tendo sido essa a intenção de Popi.

Aos onze. Um estojo da Pakalolo. Não havia mocinha que não quisesse ter um guarda-roupa inteiro da Pakalolo naquela época.

Aos quinze. Um vidro de Zíngara. A primeira vez em que tive um vidro de perfume só meu.

(…)

Óbvio que colecionei presentes ao longo da vida, como qualquer outra pessoa. Alguns eu pedi e me fizeram felizes, outros eu não pedi e foram perfeitos. Também recebi blusas de mangas bufantes e bolinhas roxas, normalmente dadas por quem me conhece desde criança e não aprendeu ainda que me contento com uma Hering Kids preta, tamanho dezesseis. Por dez merréis no Bom Retiro.

No final, para mim, aniversário não é sobre presentes. É sobre a oportunidade de demonstrar carinho genuíno por alguém. É a oportunidade que temos ou recebemos para renascer. Enquanto é possível. Enquanto há tempo.

Preciso ir pro play agora. Para brincar até me acabar. Mais trezentos e sessenta e cinco dias me esperam. Uns mais longos e outros mais curtos. Uns mais sorridentes e outros nublados. Um de cada vez.

Hoje o dia nasceu e ele é só meu. Hoje minha vida nasceu e ela é só minha. Vou aproveitar, antes que o Universo mude de idéia.

Tchau, vou brincar.

Parabéns para mim.

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Pequenas passagens ridículas que cabem em um dia – Parte

3 Março, 2008 · 1 Comentário

Meu empregador resolveu distribuir blackberries para gente que nunca nem brincou com um Game Boy ou um bichinho virtual. Ou seja, a merda está feita.

Na minha apertada agenda de executiva de multionacional, preciso encontrar tempo para falar com os felizes usuários os brinquedinho, e hoje não foi diferente. Alilás, foi diferente sim. Dessa vez, meu interlocutor era alguém que merece ser objeto de estudo científico. Tudo com ele é superlativo. A enrolação, a boa vontade, o raciocínio lento, a graça do não saber.

Lá pelas tantas, eu não conseguia fazê-lo entender os comandos a serem dados. Tampouco, que a barra de rolagem serve como uma espécie de tecla enter quando pressionada. Foi então que comecei a arrumar nomes para as coisas, linguagem didática, saca?

Eu passei uma hora dizendo: ´Doe, aperta a bolinha agora. Isso, isso. Bolinha nele. Bolinha, bolinha, bolinha de novo. Deu certo? Deixa eu ver se chegou para mim, se enxergo o que você fez. Aê! Isso, você deu bolinha nele direitinho. Vamos fazer de novo, outro comando agora. Isso, duas setas para a esquerda, três para a direita e bolinha! Bolinha, bolinha!´

Deu relativamente certo a estratégia de chamar o track wheel de bolinha. Mas fico me perguntando..O que acharia o conselho de acionistas se descobrisse que pagam uma fortuna pela hora, já considerando encargos sociais, para que eu fique dizendo: ´Bolinha nele. Isso! Bolinha nele de novo!´

Para fechar, como cereja no bolo, olhei para o lado e encontrei o chefe do chefe, parado na porta, quieto como Mãe espiando um filho, me assistindo dizer ´Bolinha, bolinha de novo. Aêêêêêêê!´

Eu realmente acho que mereço ganhar adicional de insalubridade.

Eu devo ser honesta. Sou culpada. Se eu tivesse vergonha na cara gorda já teria traduzido as duzentos e cinqüenta páginas do curso que ensina como divertir-se com a coleira tecnológica que os Does todos receberam, do Oiapoque ao Chuí. Ao invés disso, fico até as seis da manhã escrevendo posts para este blog sem audiência. E no dia seguinte, respondo ao chefe que a tradução ainda não está pronta porque não tenho tempo.

É que nem regime… Amanhã eu começo. Já até comecei, estou na página cinco há três semanas. Quem espera sempre alcança e eu estou na luta.

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De quantos paus se faz um ser humano?

3 Março, 2008 · 4 Comentários

De quantos paus se faz um ser humano?

Ou

Eu preciso de alguém que me convença a sair de casa

*Aviso*

Este é um post indignado, escrito enquanto o sangue ainda está quente. Desencontrado, parágrafos não se alinham e eu certamente seria reprovada em redação com ele. Se está procurando por coerência, vá à banca, compre uma Carta Capital e goze com Mino Carta.

Estou triste por Raul. Eu não conheço Raul. Eu não tenho idéia de quem foi o pai de Raul. Só sei que, aos cinco anos, ficou orfão hoje. Alguém resolveu brincar de super-poderoso com seu pai, depois de uma briga de trânsito.

(Tenho medo de pessoas que portam uma CNH. Porque é praticamente uma licença 007. É quase que dizer à alguém: ´Atire primeiro. Ou passe por cima. Ou jogue no poste. Pergunte depois´).

Uma das minhas teses, uma das minhas convicções pessoais (sou farta em convicções), reza que você precisa preencher pré-requisitos básicos antes de ser considerado Humano. Fisicamente, talvez, seja fácil. Desde que o objeto em questão seja fruto de um óvulo, um espermatozóide e alguns meses de gestação, fica provado que é Humano.

Mas, se outros aspectos passam a ser considerados, porcentagens consideráveis dos bilhões que aqui coabitam são sumariamente reprovadas. E sem corte de apelação.

Respeito e tolerância não têm nada a ver com religião. É ponto pacífico que você precisa respeitar e tolerar para ter recíproca.

Assim como existe a bondade inata – presente nessas pessoas que adotam centenas de crianças, que doam seus orgãos, que dedicam a vida à uma outra vida, à uma causa – também existe a maldade inata.

E não acredito em antídoto para nenhum dos casos. Para os maldosos, o´sistema´ não resolve, dinheiro não resolve, Cristo Salva não resolve, Sou da Paz não resolve, Nietzche e Freud tampouco.

Não há cura para bondade inata, para felicidade de todas as crianças perfilhadas. Por outro lado, não há cura para maldade inata, para infelicidade de Raul.

Eu vejo malvadeza prazerosa no chefe e na criança que gostam de humilhar, em policiais que fazem questão de torturar, nos chineses que insistem em matar bebês de inanição, nos animais que matam após uma briga de trânsito e em toda a sorte de tipos. Em todo lugar é possível ver esses maltrapilhos de alma, esses sujos.

Para falarmos dos casos recentes, pago cem reais à qualquer um que, sem basear seus argumentos em religião, acredite na redenção do assassino de Liana Friendenbach e Felipe Caffé. (À época do crime tive muita vontade de escrever àqueles pais. Escrever o quê eu não sei, mas ainda é uma vontade que não calou).

Dobro a oferta para quem provar que os assassinos do menino João Hélio podem conviver em sociedade. Que podem tomar conta do seu filho enquanto você vai à feira.

Triplico para quem explicar à Raul que o assassino de seu Pai é um bom pai de família, pagador de impostos, trabalhador e só o fez orfão porque perdeu a cabeça em um dia de sol quente.

Que ninguém entenda isso como apologia à pena de morte ou nada assim. Não é o ponto em discussão aqui. Só estou tentando dizer que, alguns seres, fisicamente parecidos comigo e com você, não preenchem o check-list. Não reúnem as condições necessárias para serem Humanos.

Um dia, talvez a Ciência me dê razão. Um pesquisador de alguma Universidade da Polônia ou do Uzbequistão pode legitimar minha tese.Nesse caso, faço questão dos royalties.

Eu ainda estou recolhendo subsídios para determinar qual o peso do fator genético e qual o peso do fator ambiental no desenvolvimento dessas habilidades cruéis em alguém. Já estou certa de que ambos pesam, em maior ou menor grau, dependendo da situação.

Até que haja solução paliativa para a miséria existente em viver, uma idéia pode ser não sair de casa. Eu não enxergo nenhum outro meio de evitar o contato íntimo, pessoal e fatal com um psicopata.

Os valores que tornam a vida possível têm que ser inerentes. Isso precisa acordar e dormir com você para que seja real, como alguém que escova os dentes de manhâ e à noite, sem falhar. Você precisa ser factível, acreditar e viver aquilo em que acredita. Desde que o seu limite acabe quando o do outro começar estará tudo bem.

Uma definição corrente da certificação ISO2000 – moda nos anos 90 – é: Diga o que faz, faça o que diz, prove que faz o que diz fazer.

Viver dignamente tem bastante dessa regrinha.

No final das contas, na medida em que esses casos se tornam freqüentes, vamos passar a comemorar um dia que termine sem que tenhamos encontrado um doente desses pelo caminho.

Se você saiu de casa e não tomou uma bala perdida, não foi esfaqueado em troca de um celular, não tomou um tiro depois de uma briga no farol, então tem mais é que estar feliz.

Para mim, Homo Sapiens é o único animal que, por definição, pode raciocinar e também é o único que só faz merda.

Alguém aí já viu um leão fazendo merda? Um macaco? Uma barata? Não, né.. E um homem quarentão, vermelho de raiva, arrumando confusão? Alguém aí já viu? Hã? O quê? Você vê dez desses todos os dias?

Ah, entendi. Olha que interessante: o quarentão, dos supracitados, é o único que ´pensa´.

 

Seres humanos são pródigos em violência e estupidez como nenhum outro ser foi ou será.

Em tempos imemoriais, juntava-se carne humana ainda viva e atirava-se ao fogo e aos leões. Os interessados podem encontrar em Quo Vadis* descrições exatas dos gritos de crianças, clamando por suas mães, enquanto queimavam em madeira verde.

Há pouco, escravizava-se gente sem o menor pudor. (Lamento que ainda hoje se faça isso, extintos mesmo só os navios negreiros).

Há ainda menos tempo, descobriram como derreter gente, usando-se fissão nuclear. Qualquer bom livro sobre a Segunda Guerra trará relatos de olhinhos puxados cravados em faces sem pele. Se você for um entusiasta, a literatura sobre Joseph Mengele é interessante. Faz qualquer história competente de terror parecer conto da carochinha.

Aos contemporâneos, recomendo estudos avançados sobre as técnicas de mutilação africanas nos dias de hoje. Se vão cortar seu braço com uma machadinha, você tem o direito de escolher se quer manga curta ou longa.

Em suma, nós só paramos com uma atrocidade para começar outra.

Isso realmente me dá vontade de recolher panelinhas. De ficar em casa, afundada no sofá, o lugar mais seguro do mundo.

 

Enquete da semana

O valor da vida pode ser mensurado? Qual o maior homicida de todos os tempos? O mais cruel?

a. Hitler

b. Bush´s

c. Champinha

d. Assassinos do menino João Hélio

e. Júlio César

f. Assassino do pai de Raul

g. Piloto do Enola Gay

Um mês de salário para quem responder.

 

 

Para acabar com esse post, que já me fez mal…

Eu digo, e repito: Eu tenho desonra de ser humana. Eu tenho vergonha de ter um cérebro. Eu tenho medo de gente. E, sim, eu torço pela extinção dessa raça. A.S.A.P.

Quase dez anos depois, dou razão ao Décio, meu professor de PD, azedo feito seu Lunga. O sonho dele era ser uma barata, pelo menos essas resistiriam às explosões nucleares.

 

 

Um beijo para o meu Pai, pra minha Mãe, pra Raul e para você, que teve a humanidade de ler até o final.

 

 

*Quo Vadis, Henryk Sienkiewicz. Nobel de Literatura em 1905.

 

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Para provar que não sou um monstro, segue adendo de um Amigo Doe que leu o post anterior em primeira mão.

3 Março, 2008 · Deixe um comentário

‘—–Original Message—–
From: Amigo Doe
Sent: Thursday, March 06, 2008 7:51 PM
To: Bozolina Doe
Subject: Promessa é dívida…

Então querida… tem duas situações que vc PRECISA acrescentar ao seu relato de frustrações com o transporte coletivo. Situações tais que acabei me esquecendo de comentar devido aos dois dias que folga (e paz) que obtive no meio da semana… Mas foi apenas o tempo de voltar a rotina e pegar o primeiro latão que senti o duro golpe da realidade… Muito bem, são as
seguintes:

Situação 1: Velho pedindo assento. Pra começar, pq velho tem q andar tanto de ônibus??? Dá vontade de mandar essas tiazinhas fazerem crochê… os velhinhos não enchem tanto o saco, mas tem uns que não perdoam também. Hoje entrou um e ficou do meu lado se insinuando, olhei pra direita e já pensei “úta que me pariu, logo eu?”… dei um tempinho pq meu ponto ainda tava longe e pensei “bom, melhor eu levantar senão o povo do latão vai achar que sou um mal caráter…”, mas não dei o braço a torcer… resolvi fingir que meu ponto estava perto e levantei fingindo que ia descer logo… o pior é que o velho não sentou! Chegou uma mulher, perguntou se ele queria sentar e o safado só respondeu “não não…”. E ficou de pé até depois que saí do ônibus ¬¬

Situação 2:  Essa é a pior… mendigo pedindo esmola no corredor do ônibus.
Isso geralmente acontece em latões que percorrem longas distâncias (oq é o meu caso…). Tem de todo tipo… mendigo que conta historinha triste de filho doente, mendigo que distribuiu papelzinho com alguma comovente, mendigo que fica querendo vender porcarias… e mendigo que simplesmente pede dinheiro e pronto(que foi o caso de hoje, uma mulher mulambenta só balbuciava “quem pode me ajudar, me ajuda por favor”. Uma passageira deu uma nota de 2 pila e ela nem agradeceu!). Mas sabe, até prefiro os desse último tipo, pq é mais fácil negar a esmola e não me sinto culpado hahahaha.

Me conta se por vc sofre com essas também. Beijos!’

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Por que usuários do transporte público fedem?

3 Março, 2008 · 2 Comentários

Por que diabos usuários do transporte coletivo, não raro, fedem?

Gente, é sério, que ninguém me crucifique pelo comentário, mas eu não concebo alguém fedendo às seis da manhã. Perfume é luxo, é caro. Eu mesma só compro se não estou dura. Mas higiene não custa nada. Roupa lavada, banho tomado e Rexona já ajudam bastante.  

Eu me pergunto por que sou obrigada a compartilhar dos péssimos hábitos alheios? Exemplo, o cara pára, no meio da plataforma do Metrô e cospe. O filho da puta cospe! Na hora, minha imagem mental é o fulano assistindo Gilberto Barros na TV, sentado no sofá da Marabraz… Respira fundo, saliva até não poder mais e cospe. Atrás da cortina, do lado do sofá, na tela da TV.. Será que ele faz isso? Não, né? Certamente não acha que a família deva compartilhar tal imundice. Pois se a família não deve, eu também não!  

Ou ainda, a mãe cheia de catarrentos no ônibus, sentada a um braço de distância da lixeira. Enquanto esperava, no ponto, parou no camelô e comprou toda sorte de doces, salgados e garrafinhas de Dolly. O coletivo parte, os gremlins devoram tudo e o quê ela faz? O quê? Tempo!

É, caros, é isso mesmo. Ela joga tudo pela janela. Zás, uma embalagem de Fandangos na sua cabeça. Zás, uma garrafinha de Dolly Uva no vidro do seu carro.

E eu fico com vontade de encostar no ouvido da peça, bem devagarzinho, como quem vai fazer carinho e dar uma lambidinha e então gritar: ´Meuuuuuuuuuuuuuu, qual é o seu pobrema?!?!?!? Esse lixo vai entupir bueiro, vai cair em alguém, vai deixar ainda mais feia uma cidade feia. Aquela porra pendurada ali do lado da porta é uma lixeira. Repete comigo: lixeira. Agora soletra, só para eu ter certeza que você entendeu. E faz o favor de descer e ir recolher sua porcalhada. Ah, quase esqueço. Guarde na bolsa, até que você encontre uma lixeira de recicláveis para jogar.´ 

Não que a praga da falta de educação seja exclusividade de meios coletivos. Sextas e sábados, a bola da vez é atirar latinhas de cerveja pelas janelas dos carros.

Ateu queira que eu jamais pegue uma cria minha fazendo isso. Se um dia acontecer, começo a encher a decepção de cacetes na rua mesmo.  

Melhor ou pior do que os citados, só os mocinhos que insistem em fazer do espaço público, qualquer que seja ele, palco para apresentação de mais uma fracassada banda de pagode. Você está lá, na boa, curtindo o bode inerente à solidão dos espaços públicos e alguém começa a batucar freneticamente e grunhir qualquer coisa que começa com meu amor e termina com ê lauê laiá.  E sejam louvados o MP3, Mozart e Villa-Lobos, meus companheiros de fuga dessas situações.  

A série de tipos urbanos também inclui  os usuários de celular. Se o mal do século XIX foi a solidão, o mal do século XXI é o celular. Falo com propriedade, porque não tenho um, não quero ter um. Olha só, telefone móvel precisa servir pro fim a que se destina. Fazer e receber ligações.  Qual a utilidade de um celular com toque polifônico ultra-mega potente do Calypso? À exceção de tirar minha paciência, não enxergo mais nenhuma.

Você lá, concentrado em ler Rousseau ou em qual das contas terá a sorte grande de ser paga na próxima quinzena, quando, de repente, do seu lado: ´Zé, tira a roupa do varal que vai chover. Tô no metrô, o sinal vai cair. É, Zé, a roupa. A ROUPAAAAAAAAAA, TIRA´ ´Merda, entrou no túnel, caiu o sinal´.

E tem as variantes.. Conversa alheia no telefone é cheia de variantes. Uma pior do que a outra, claro.. `Oi, Guti-guti. Bom dia para você também, tá? É, eu te amo. Hihihi. Benhê, tô no metrô, não dá pra falar disso agora. É, de noite. É.. Depois do Habib´s a gente vai. Vou, vou fazer isso pra você, pode deixar. Xiii, era pra pôr a vermelha? Eu botei a preta.´

Putz, nada contra os planos sexuais de ninguém, mas dá um tempo, né?  

Ahhhh, uma espécie interessante é a do contínuo enfiado em camisas Dorinho´s, que se toma por executivo, mas o linguajar o trai. ´É, mano. Fala pra mina pegar os dois envelopes, um para cada, tá entendeno? Aí preenche direito, tá ligado? E deixa aí na recepa, com aquela gostosa que eu já passo aí pra pegar e levar no banco. Beleza, mano, falow.´ 

Para fechar a galeria, tem o estagiário-de-Direito-sem-bolsa-auxílio, carregando aquela pilha de processos para lá e para cá. Cinco anos de faculdade, cinco anos carregando papéis. ´Isso, tem que falar pro Doutor Figueira que as petições estão assinadas e comigo. Que eu cuido de tudo. Como assim? Como ele não sabe quem sou eu? Olha, vou dar um jeito nisso. Data vênia, dura lex sed lex. Sbrubbles. Tá, tá, beijo, tchau. ´ 

Depois de tanto ácido, admito, eu sou anti-social. Por escolha, mas sou.

(Só não sofri nenhum atentado ainda porque as lentes do meus indefectíveis óculos escondem o Tomahowk que eu lanço cada vez que essas coisas acontecem).

Só não entendo porque é tão impossível coabitar nessa cidade, quiçá nesse mundo.  

É por isso, e estou bem fundamentada, que sonho com o que dia em que dominarei o planeta.  

Um beijo para o meu pai, pra minha mãe e pra você. E não vou mandar beijo para os personagens desse post. É muita impudência tornar a vida tão difícil e ainda querer beijo depois.  

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O sonho de todo escrevedor de email desse país é dar entrevista no Cidade Alerta

3 Março, 2008 · Deixe um comentário

Pois o mesmo disse ao mesmo que o mesmo vai estar fazendo a carta e vai estar enviando no próximo dia depois de hoje pois ele vai estar fazendo foop porque anyway os membros do time dessa equipe que tem que trabalhar unida precisaram de autorização vinda do blábláblá ração whiskas blábláblá. Voçê precisa estudá as rotinas e prossessos da compania.

Deu para entender? Pois é, o texto acima é obra da minha porca ficção, mas me entristece saber que recebo uns quinze piores do que esse todo santo dia.

 

Concluo que o sonho de todo mundo que ganha uma conta de e-mail corporativa é dar entrevista no Cidade Alerta. Ou o cara tem aspirações criminais ou prestou concurso para a Polícia Militar e não passou. E agora quer descontar sua frustração escrevendo ´o mesmo´ cento e cinqüenta vezes por parágrafo.

 

Eu fico triste para cacete porque, foram no mínimo onze anos nos bancos escolares, desperdiçando tempo, dinheiro e neurônios para, no fim, não conseguir entender a diferença entre ´ão´ e ´am´. E fico a meio caminho de sair culpando todo mundo. O autor da pérola, os pais do autor, os professores do autor. Ninguém tem obrigação de ser poliglota. Mas tem sim obrigação de conhecer minimamente sua língua pátria.

 

A melhor função do Outlook jamais deixará de ser o shift+del. A melhor invenção humana desde o fogo e a roda é, sem dúvida, o shift+del. Eu espero nunca perder uma informação realmente importante por isso, mas… Se o título do e-mail for : Bom Dia, se terminar com Att., se eu ler a primeira linha e precisar voltar para o começo para entender que porra é aquela… Ah, nessas situações eu não tenho dúvida! Shift+Del neles.

 

Pior é que tem gente tão ruim, mas tão ruim, que eu já não olho. Não passa mais pelos meus critérios de exclusão. É shift+del na mesma hora que sobe o aviso de nova mensagem.

 

Melhor do que isso, só aqueles em que a pessoa escreve uma tese de mestrado e você pre-ci-sa mandar de volta: ´Tá, mas você precisa de?´

 

Ahahaahahah, ahahahaha, ahahahahah… E as assinaturas que incluem florzinhas, foto do filho, carinhas e afins? Gente, o que é isso? Vamos trabalhar, gerar PIB!

 

Óbvio que só alguém muito azedo como eu consegue ser tão radical.

 

O que falar das gafes eletrônicas? Acontecem, quase sempre, quando o intuito é arrumar confusão. De uma filial para outra, há algum tempo: ´Fique você sabendo que eu não cuido de assuntos que não são da minha ossada´. É, minha filha, todo mundo ficou sabendo. Em todas as filiais, incluindo aquelas além-mar. Outra explicação possível para o besteirol: a pessoa queria ficar famosa, não foi selecionada pro BBB e então, deliberadamente, resolve soltar uma dessas.

 

Eu não deveria ter começado esse post sem pesquisa prévia nos meus arquivos, incluindo os da memória. Dá para fragmentar em uns vinte e cinco textos diferentes. E sou fonte fidedigna, não publico nada que eu não tenha presenciado. Ouvir no Programa do Jô e sair espalhando depois não vale.

 

Não tenho a intenção de criticar, pura e simplesmente. Eu sou falível. Mas isso realmente me entristece. Falando sério, é pela linguagem – por todas as maneiras possíveis de linguagem – que alguém se expressa, que se vende, que se faz confiável, que se faz produtiva, que se relaciona. Se não consegue fazer isso de maneira aceitável, onde esse mundo vai parar?

 

Eu fico pensando se vivo na mesma dimensão que os terráqueos.Não é possível que alguém já tenha vivido vinte e cinco, trinta, quarenta anos, lendo o jornal, assistindo à TV, freqüentando a escola, tendo contato com o ´mundo exterior´ e ainda não consiga diferenciar ´ão´ de ´am´.

 

Chega. Daqui a pouco quem vai ganhar um delete definitivo por fundamentalismo sou eu. Vou dormir. Triste, torcendo para que se pare de usar ´o mesmo´ e se aprenda a conjugar verbos nesse país.

 

E viva o shift+del!

 

 

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O cheiro e a máquina do tempo

3 Março, 2008 · Deixe um comentário

Meninos, meninas e similares. Calipígios e onanistas;   

Eu adoro cheiros. Eu associo coisas e pessoas, épocas e fatos à cheiros. Eu adoro perfumes, não vou negar a vaidade que há em saber que as pessoas me reconhecem pelo cheiro. Que sabem que eu cheguei sem precisar se virar para olhar.  

Dezembro tem um cheiro quente, que só ocorre em dezembro. Trinta de novembro ainda não tem esse cheiro, em primeiro de janeiro ele já foi embora.  

Coca-Cola exala cheiro de Cola-Cola gelada na mamadeira, deitada no sofá, criança, em dia quente de verão.  

Chá Mate significa seis horas da manhã, hora de se arrumar para ir para a escola. Um copo de chá mate, três bolachinhas cream cracker.  

Vanilla. Usamos eu e Sister Doe o mesmo perfume. Vanilla cheira Sister aqui em casa, noite de domingo chuvosa, contando que estava grávida. Eu não conseguia sair de perto do pescoço  dela.  

Bacon é a janta depois da escola. Purê de batatas no fogão, quase pronto.

Protetor solar é sinônimo de rosto engordurado, para me proteger da marca do óculos.  

Seiva de Alfazema. Cheira como o banheiro de minha avó e os presentes de final de ano.  

Amaciante expressa o dia da troca de lençóis. 

Tang de pêssego. Visita à casa de uma Friend Doe, dia quente, depois do trabalho.  Ela faz o Tang de pêssego mais incrível que eu já tomei na vida. 

Couro é  sinal de tarde de compras no shopping. Voltar para casa com Aquela Bota, com Aquela Bolsa.  E daí por diante…… 

                                             ******** 

Pão de Açúcar. Essa companhia capitalista desalmada, com lojas vinte e quatro horas, berrando gaste e engorde a qualquer hora do dia ou da noite.

Eu vivo no Pão de Açúcar depois do trabalho. Meia noite, uma, duas da manhã.. ´Ah, fica no caminho, vamos parar e comprar só um refrizinho para acompanhar a janta´. Quando você se dá conta, trintão – na melhor das hipóteses – fica no caixa. 

É um dos raros lugares em que se pode comer um bem-casado sem ter de encarar festa de família para isso.  

Em uma dessas visitas, eu o vi. Escondidinho. Quase não acreditei. A cara estava boa, no tom certo. Sete merréis. Resolvi tentar, mesmo sem esperança, depois de tentativas fracassadas. Tentei faz-lo uma vez, não rolou. Eu comprava um outro, no mercado sulista comprado pelos franceses e também não rolou. Resumindo, parte da minha essência estava perdida sem ele. 

Viemos embora, Baby vai trocar de roupa, John vai guardar o carro. Vou para a cozinha, começo a desembalar as compras. Pego o pote, bonito por sinal. O coração dispara. Será que dessa vez dá, pelo menos, pro gasto? Luto com o vidro e a tampa. Suo, venço, consigo abrir. E naquele instante, revivi minha infância. O cheiro de calda quente vindo do panelão de ambrósia de minha Mãe; o cheiro da cozinha de minha casa; o cheiro da sobremesa de Ano-Novo; o grito poderoso: ´Não encoste! Ainda está quente, vai te dar dor de barriga. Se eu te pegar perto dessa panela você vai ver o que é bom para tosse´. E então eu ficava ao lado do fogão, exercitando a paciência, esperando esfriar, cheirando a colher, cheirando o papel toalha que cobria o caldeirão. 

Eu não sei por quanto tempo fiquei à porta da geladeira, sentindo os pés frios, cheirando aquele pote de ambrósia. Podem ter sido cinco minutos, podem ter sido sessenta. Não faço idéia. Mas essa é a fábula de como o Pão de Açúcar se tornou minha máquina do tempo.

Agora, se quero sentir o cheiro dos anos passados, sem naftalina e sem mofo, passo por lá e trago um pote de ambrósia para casa.  

Não posso terminar sem esclarecer que ambrósia é coisa de paulistano. O nome do doce, de verdade, é doce-de-leite da Bahia. Foi assim que minha Mãe me ensinou e é assim que tem que ser.  

Um beijo para meu pai, pra minha mãe, pro feliz comprador que botou esse negócio pra vender e pra você.  

 *Aos interessados, o tesouro em questão é vendido sob a marca Pão de Açúcar mesmo. E a fábrica, embora nunca consiga fazer um como o de minha Mãe, é bem competente.

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Quanto tempo duram Nove e Meia Semanas de Amor ?

3 Março, 2008 · Deixe um comentário

Meninos, meninas e similares. Calipígios e e onanistas;

 
Acabo de ver um filme, e não digo qual para não acabar com o barato de ninguém.

Mas a cena final, para variar, me fez teorizar. O mocinho beija a mocinha, depois de brigarem com tudo e todos para ficarem juntos. E o The End dá a entender que foram felizes para sempre, como usual.

E é aí que eu perco o sono. Que começo a me perguntar se eles continuam felizes depois que chega a conta de luz ou se é cor de rosa a hora de recolher o cocô do cachorro. Ou se o coração ainda dispara quando ela liga pedindo para recolher a roupa do varal.

 Só acho que, depois de uma cena à la Nove e Meia Semanas de Amor na porta da geladeira, alguém precisa limpar a cozinha; alguém precisa trabalhar para pagar o aluguel do apezinho de O Último Tango em Paris.
Você pode passar uma tarde de sexo embaixo do chuveiro, mas a conta de água vai chegar em breve. Pode passar horas no telefone falando bobagens, mas isso custa.
E não é só sobre dinheiro. É também sobre toalhas molhadas e comida salgada.

 Imagino que os filmes só acabam na cena de beijo, no The End, porque o que vem depois é, quase sempre, pouco interessante.

Pense nessas pessoas que se agridem e/ou que estão presas à relacionamentos infrutíferos. Eu não sei como ficaram assim, não sei onde a magia se perdeu. Mas estou certa de que algum dia elas foram como um casal de cinema. Que algum dia perderam o fôlego uma pela outra, que desejaram passar a vida inteira juntas. E, de repente, não deu. Simples assim.

 Não quero com isso dizer que sou cética, que pessoas não podem se amar, que romantismo não existe. Depois de passar a infância lendo revista Seleções eu creio piamente nessas pieguices todas.

 Desorientada como sou não me atrevo a dar conselhos, tampouco isso aqui é consultório amoroso. De qualquer maneira, quando apaixonar-se – seja por quem já está com você, seja por quem virá, ou por quem voltar – aproveite cada um dos quinze minutos de fama, sem esquecer da trilha sonora, por favor. É divertido bancar Kim Bassinger e Marlon Brandon.


Um beijo para o meu Pai, pra minha Mãe e pra você.

* Achei esse link nas edificantes pesquisas que fiz para o post. É bacana, passem por lá.

http://nikita.rio.vilabol.uol.com.br/h13.html

 

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Eu tenho licença poética para o festival de bobagens – Parte I

3 Março, 2008 · Deixe um comentário

Estresso. Preciso de um cigarro. Saio da sala, pego um café na máquina, chamo o elevador (importante registrar que tenho medo do elevador. Daquele elevador. Nunca foi preso por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe, mas já tentou matar metade dos peões que trabalham naquele prédio). Enquanto espero, canto: ´lá vem o pato, pato aqui, pato acolá. Lá vem o pato para ver o que é que há´.
É ridículo. E adoro.

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De outra feita, muitos e muitos anos atrás, perco uma aposta. Vou para o Playcenter com uma calça jeans vestida ao contrário. Os bolsos na frente, o zíper atrás.
É ridículo. E adoro.

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Cunhada passando o final de semana em casa. Madrugada.  Montamos o figurino. Rayban, pashmina pink, escorredor de macarrão na cabeça, camisolas, cabelos desgrenhados. Deitamos no chão da cozinha. A brincadeira é emuldurar o rosto da outra com as próprias coxas e tirar fotos. Rimos, acordamos a vizinhança.
É ridículo. E adoro.   

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Dindi passando o final de semana em casa. Madrugada. Mesa da cozinha. Coro desafinado para o Hino Nacional, da Bandeira, da Independência.
É ridículo. E adoro.

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 Conecto no emeesseene. Hora de mudar a frase. Escolho `Atirei o pau no gato-to, mas o gato-to não morreu-reu-reu, Dona Chica-ca admirou-se-se do berrô, do berrô que o gato deu. Miau!´. Saio da sala, no hall do elevador assassino, sisuda criatura olha para mim, desata a rir e solta: ´Eu fico esperando você logar no emeessene só para ver o que vai sair. Só para rir.´
É ridículo. E adoro.

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Vou para a casa de Sister Doe. Chego de madrugada. Um DVD do Sem Compromisso na vitrola. Sister acaba de acordar. A tiro para dançar. Rodopiamos todos os sambas melosos pelo meio da sala.
É ridículo. E adoro.

 

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