Estresso. Preciso de um cigarro. Saio da sala, pego um café na máquina, chamo o elevador (importante registrar que tenho medo do elevador. Daquele elevador. Nunca foi preso por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe, mas já tentou matar metade dos peões que trabalham naquele prédio). Enquanto espero, canto: ´lá vem o pato, pato aqui, pato acolá. Lá vem o pato para ver o que é que há´.
É ridículo. E adoro.
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De outra feita, muitos e muitos anos atrás, perco uma aposta. Vou para o Playcenter com uma calça jeans vestida ao contrário. Os bolsos na frente, o zíper atrás.
É ridículo. E adoro.
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Cunhada passando o final de semana em casa. Madrugada. Montamos o figurino. Rayban, pashmina pink, escorredor de macarrão na cabeça, camisolas, cabelos desgrenhados. Deitamos no chão da cozinha. A brincadeira é emuldurar o rosto da outra com as próprias coxas e tirar fotos. Rimos, acordamos a vizinhança.
É ridículo. E adoro.
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Dindi passando o final de semana em casa. Madrugada. Mesa da cozinha. Coro desafinado para o Hino Nacional, da Bandeira, da Independência.
É ridículo. E adoro.
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Conecto no emeesseene. Hora de mudar a frase. Escolho `Atirei o pau no gato-to, mas o gato-to não morreu-reu-reu, Dona Chica-ca admirou-se-se do berrô, do berrô que o gato deu. Miau!´. Saio da sala, no hall do elevador assassino, sisuda criatura olha para mim, desata a rir e solta: ´Eu fico esperando você logar no emeessene só para ver o que vai sair. Só para rir.´
É ridículo. E adoro.
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Vou para a casa de Sister Doe. Chego de madrugada. Um DVD do Sem Compromisso na vitrola. Sister acaba de acordar. A tiro para dançar. Rodopiamos todos os sambas melosos pelo meio da sala.
É ridículo. E adoro.