Aventuras macabeuzas

Hoje é o dia de meus anos.

3 Março, 2008 · 1 Comentário

Meninos e meninas, Chega dois dias atrasados. Meu presente incluiu folga da net.

Hoje é o dia de meus anos. É uma coisa muito esquisita essa de aniversário. Você espera ansiosamente pelo dia em que o Sol vai nascer só para você. Você espera pelas vinte e quatro horas desenhadas e dedicadas pelo Universo para você.

Eu adoro o dia de anos. Não só o meu, mas o de todo mundo. É dia de celebrar a Vida. É sinal de que você sobreviveu à mais um ano. Que passou vivo pelos últimos trezentos e sessenta e cinco dias. Ao mesmo tempo, tem uma inquietude nisso tudo. Eu não posso me dar os presentes que gostaria. Nem mesmo dormir. Eu havia me prometido a manhã e a tarde inteira de sono, mas eu só saio da cama cedo para duas coisas: ganhar dinheiro e ganhar um trato na carcaça. Pois bem, a Amiga Doe que vai me dar um trato na carcaça resolveu marcar para as dez e meia da manhã. E ficou indignada quando eu disse que esse horário é madrugada.

Dia de anos tem gosto de medo e de prazer. Tem gosto de lembrança e de futuro. É a sua segunda oportunidade de se dar um Feliz Ano Novo! E essa esperança louca, essa crença infantil de que mudar um digíto vai mudar nossas vidas?

Em algum lugar dentro de nós está guardada a certeza de que no espaço contido entre 23:59 e 00:01 cabe uma revolução, cabe um transbordamento de novos Eu´s. Que porque o sino bateu as doze badaladas vamos ser mais poupadores, menos preguiçosos, mais gentis, menos ranzinzas, menos glutões.

Eu sinto que um quarto de século merece uma carta de intenções. Vou tecê-la. Quando bater vontade. Vou guardá-la e fazer tudo errado e ao contrário. Como uma espécie de seguro do bom humor. A carta de intenções será minha apólice e, ao abri-la, daqui a vinte cinco anos, gargalhadas brotarão do papel amarelado.

Um gosto de ternura acompanha as imagens de tenho dos meus aniversários. Dos meus dias de nascer e renascer.

Aos sete. Vejo minha Mãe passando vassoura mágica no carpete verde, antes da chegada dos convidados.

Aos nove. Queria ter ainda a Mônica de borracha, achada por meu pai no dia de meus anos, em tempos de vacas magras. Essa Mônica ainda é dos melhores presentes que recebi, mesmo não tendo sido essa a intenção de Popi.

Aos onze. Um estojo da Pakalolo. Não havia mocinha que não quisesse ter um guarda-roupa inteiro da Pakalolo naquela época.

Aos quinze. Um vidro de Zíngara. A primeira vez em que tive um vidro de perfume só meu.

(…)

Óbvio que colecionei presentes ao longo da vida, como qualquer outra pessoa. Alguns eu pedi e me fizeram felizes, outros eu não pedi e foram perfeitos. Também recebi blusas de mangas bufantes e bolinhas roxas, normalmente dadas por quem me conhece desde criança e não aprendeu ainda que me contento com uma Hering Kids preta, tamanho dezesseis. Por dez merréis no Bom Retiro.

No final, para mim, aniversário não é sobre presentes. É sobre a oportunidade de demonstrar carinho genuíno por alguém. É a oportunidade que temos ou recebemos para renascer. Enquanto é possível. Enquanto há tempo.

Preciso ir pro play agora. Para brincar até me acabar. Mais trezentos e sessenta e cinco dias me esperam. Uns mais longos e outros mais curtos. Uns mais sorridentes e outros nublados. Um de cada vez.

Hoje o dia nasceu e ele é só meu. Hoje minha vida nasceu e ela é só minha. Vou aproveitar, antes que o Universo mude de idéia.

Tchau, vou brincar.

Parabéns para mim.

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Pequenas passagens ridículas que cabem em um dia – Parte

3 Março, 2008 · 1 Comentário

Meu empregador resolveu distribuir blackberries para gente que nunca nem brincou com um Game Boy ou um bichinho virtual. Ou seja, a merda está feita.

Na minha apertada agenda de executiva de multionacional, preciso encontrar tempo para falar com os felizes usuários os brinquedinho, e hoje não foi diferente. Alilás, foi diferente sim. Dessa vez, meu interlocutor era alguém que merece ser objeto de estudo científico. Tudo com ele é superlativo. A enrolação, a boa vontade, o raciocínio lento, a graça do não saber.

Lá pelas tantas, eu não conseguia fazê-lo entender os comandos a serem dados. Tampouco, que a barra de rolagem serve como uma espécie de tecla enter quando pressionada. Foi então que comecei a arrumar nomes para as coisas, linguagem didática, saca?

Eu passei uma hora dizendo: ´Doe, aperta a bolinha agora. Isso, isso. Bolinha nele. Bolinha, bolinha, bolinha de novo. Deu certo? Deixa eu ver se chegou para mim, se enxergo o que você fez. Aê! Isso, você deu bolinha nele direitinho. Vamos fazer de novo, outro comando agora. Isso, duas setas para a esquerda, três para a direita e bolinha! Bolinha, bolinha!´

Deu relativamente certo a estratégia de chamar o track wheel de bolinha. Mas fico me perguntando..O que acharia o conselho de acionistas se descobrisse que pagam uma fortuna pela hora, já considerando encargos sociais, para que eu fique dizendo: ´Bolinha nele. Isso! Bolinha nele de novo!´

Para fechar, como cereja no bolo, olhei para o lado e encontrei o chefe do chefe, parado na porta, quieto como Mãe espiando um filho, me assistindo dizer ´Bolinha, bolinha de novo. Aêêêêêêê!´

Eu realmente acho que mereço ganhar adicional de insalubridade.

Eu devo ser honesta. Sou culpada. Se eu tivesse vergonha na cara gorda já teria traduzido as duzentos e cinqüenta páginas do curso que ensina como divertir-se com a coleira tecnológica que os Does todos receberam, do Oiapoque ao Chuí. Ao invés disso, fico até as seis da manhã escrevendo posts para este blog sem audiência. E no dia seguinte, respondo ao chefe que a tradução ainda não está pronta porque não tenho tempo.

É que nem regime… Amanhã eu começo. Já até comecei, estou na página cinco há três semanas. Quem espera sempre alcança e eu estou na luta.

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