Meninos e meninas, Chega dois dias atrasados. Meu presente incluiu folga da net.
Hoje é o dia de meus anos. É uma coisa muito esquisita essa de aniversário. Você espera ansiosamente pelo dia em que o Sol vai nascer só para você. Você espera pelas vinte e quatro horas desenhadas e dedicadas pelo Universo para você.
Eu adoro o dia de anos. Não só o meu, mas o de todo mundo. É dia de celebrar a Vida. É sinal de que você sobreviveu à mais um ano. Que passou vivo pelos últimos trezentos e sessenta e cinco dias. Ao mesmo tempo, tem uma inquietude nisso tudo. Eu não posso me dar os presentes que gostaria. Nem mesmo dormir. Eu havia me prometido a manhã e a tarde inteira de sono, mas eu só saio da cama cedo para duas coisas: ganhar dinheiro e ganhar um trato na carcaça. Pois bem, a Amiga Doe que vai me dar um trato na carcaça resolveu marcar para as dez e meia da manhã. E ficou indignada quando eu disse que esse horário é madrugada.
Dia de anos tem gosto de medo e de prazer. Tem gosto de lembrança e de futuro. É a sua segunda oportunidade de se dar um Feliz Ano Novo! E essa esperança louca, essa crença infantil de que mudar um digíto vai mudar nossas vidas?
Em algum lugar dentro de nós está guardada a certeza de que no espaço contido entre 23:59 e 00:01 cabe uma revolução, cabe um transbordamento de novos Eu´s. Que porque o sino bateu as doze badaladas vamos ser mais poupadores, menos preguiçosos, mais gentis, menos ranzinzas, menos glutões.
Eu sinto que um quarto de século merece uma carta de intenções. Vou tecê-la. Quando bater vontade. Vou guardá-la e fazer tudo errado e ao contrário. Como uma espécie de seguro do bom humor. A carta de intenções será minha apólice e, ao abri-la, daqui a vinte cinco anos, gargalhadas brotarão do papel amarelado.
Um gosto de ternura acompanha as imagens de tenho dos meus aniversários. Dos meus dias de nascer e renascer.
Aos sete. Vejo minha Mãe passando vassoura mágica no carpete verde, antes da chegada dos convidados.
Aos nove. Queria ter ainda a Mônica de borracha, achada por meu pai no dia de meus anos, em tempos de vacas magras. Essa Mônica ainda é dos melhores presentes que recebi, mesmo não tendo sido essa a intenção de Popi.
Aos onze. Um estojo da Pakalolo. Não havia mocinha que não quisesse ter um guarda-roupa inteiro da Pakalolo naquela época.
Aos quinze. Um vidro de Zíngara. A primeira vez em que tive um vidro de perfume só meu.
(…)
Óbvio que colecionei presentes ao longo da vida, como qualquer outra pessoa. Alguns eu pedi e me fizeram felizes, outros eu não pedi e foram perfeitos. Também recebi blusas de mangas bufantes e bolinhas roxas, normalmente dadas por quem me conhece desde criança e não aprendeu ainda que me contento com uma Hering Kids preta, tamanho dezesseis. Por dez merréis no Bom Retiro.
No final, para mim, aniversário não é sobre presentes. É sobre a oportunidade de demonstrar carinho genuíno por alguém. É a oportunidade que temos ou recebemos para renascer. Enquanto é possível. Enquanto há tempo.
Preciso ir pro play agora. Para brincar até me acabar. Mais trezentos e sessenta e cinco dias me esperam. Uns mais longos e outros mais curtos. Uns mais sorridentes e outros nublados. Um de cada vez.
Hoje o dia nasceu e ele é só meu. Hoje minha vida nasceu e ela é só minha. Vou aproveitar, antes que o Universo mude de idéia.
Tchau, vou brincar.
Parabéns para mim.
1 response so far ↓
Flaming00 // 3 Março, 2008 às 10:07 pm
…Enquanto eu tentava te caçar desesperadamente, você se refestalava numa poltrona de um salão de beleza em pleno “Um Dia de Princesa”. Prêmio de originalidade ao trocar uma Limusine por um Fusca Doe amarelo. Feliz Aniversário, Panga!
Deixe seu comentário