Dindi quer fazer um post com o mesmo tema, que já debatemos tantas vezes. Não pude resistir a escrever, mas vou respeitá-la e só irá ao ar depois que o dela estiver publicado.
Dos mistérios insondáveis entre o céu, a terra e os cartórios de registros de pessoas naturais (alguém sabe se tem pessoas não naturais?), o maior deles é, sem dúvida, os nomes próprios.
Em mais uma das minhas teorias, eu acho que filho com nome impublicável é fruto de foda mal dada. A fecundação ocorre e os pais, ou um deles, passa os nove meses seguintes pensando em como se vingar do rebento.
Esse ato de rebeldia, de vingança, vai reverberar na vida do pobre pelo resto dos dias. Essa criança estará condenada à gozação, pilhagem e ao fracasso por toda a eternidade. Sim, por toda a eternidade. Mesmo depois de morta, os passantes pararão defronte à lápide, pararão o cortejo fúnebre e começarão a se cutucar: ´Lê isso,lê isso. Olha esse nome.´
Sou a favor da destituição do Pátrio Poder ainda no Cartório, quando chegam os progenitores para o registro. Se for esdrúxulo, recolha a criança imediatamente, enquanto há tempo. (Segundo Sister Doe, não é mais esse o termo. Agora é Poder Familiar. Quando eu tiver tempo de ler o novo Código Civil aprendo sobre isso. Já contei que li a Constituição de 88? À época da promulgação, se você mandasse uma carta sei lá para onde, recebia um exemplar em casa. Assim fizeram meus pais. Assim eu li toda a Constituição desse País antes de completar dez anos).
Trabalho com uma Doe. É uma Doe tão divertida que faço votos para que seja divulgada como benefício na página do HR. Vale quase mais um salário compartilhar a senzala com ela.
Esta Doe, dada a profusão de esquisitices nominais que aparecem, está planejando um calendário. Assim como tem o da Pirelli, o da Playboy, ela fará um com nomes. Em alguns meses, sem nenhum tipo de esforço, sem a ajuda do Oráculo, contando somente com os acasos do dia-a-dia, recolhemos nomes suficientes para montarmos o calendário do próximo decênio inteiro.
E, como toda vez que lanço uma teoria, alguém tem a gentileza de fornecer argumentos irrefutáveis, vejam essa.
Trabalho com alguém locado na terra de Caetano. Parceiro de lida do Diogo Mainardi carioca-soteropolitano, que citei em outro post. Mas com uma diferença formidável: um humor fantástico.
Eis que um dia esse Doe liga. Começamos a falar de nomes próprios, sbrubbles, não sei como o assunto começou. Ele relata que, perto de sua casa, uma mãe engravidou indesejadamente. A talidomida falhou e a moça resolveu se vingar. Nomeou a menina, hoje em idade pré-escolar, de… hum… bem… nomeou de Maria Prostituta.
Não sei se é verdade ou não. Vindo de quem vem, bem pode ser gozação. Mas também não duvido.
Ainda da série…. Certa senhora, sessenta anos atrás, engravidou. O nascimento chegando e nada de idéias para nomes. Um dia, costureira que era, folheando revista de moda, se encantou por duas modelos dividindo página dupla. De um lado, a modelo era Virce. De outro, a graça da modelo era Leda. Adivinha? Claro, a filha da senhora foi nomeada Virceleda. Não vou esclarecer quem é a personagem em questão – vai que ela procura por si mesma no Oráculo e encontra esse blog. Eu estaria perdida. Mas posso dizer que vai muito bem, obrigada. E que, claro, passou a maldição adiante. Teve uma filha, há trinta anos. E a condenou a ser Rita Fernanda.
Sobre essa senhora criativa, teve mais uma chance para exercer seu dom, com o Rogaciano. Rogaciano o era médico da família. Para homenageá-lo, a distinta resolveu assim chamar um de seus filhos homens. Por sua vez, este cresceu, casou-se e reproduziu-se, na figura de Rogaciano Filho. Como ainda não bastasse, a cria casou-se com Aloncia e deu ao filho o nome de Cassiano. Só para poder continuar chamando de Sissi.
Para fins de informação, a mãe em questão atendia por Glória, um nome lindo.
A galeria também inclui a Lysleynne. O que quer que seja isso.
Alguém aí já viu a Meritíssima Lysleynne? Ou o CEO Rogaciano?
E o Doutor PhD em Oxford Rildo Sinfrônio?
Você contrataria alguém chamado Gleico para fazer seu imposto de renda?
A aluna CDF e nota dez dos seus tempos de escola atendia por Suellen Katianny?
Você marcaria consulta com um médico, achado a esmo no livrinho do convênio, se o nome da clínica fosse Clínica Cardiológica Marigleiton Uéliguinton?
Duvide-o-dó.
O fato é que nome é coisa séria.
Eu não sei qual é a magia, não credito à Astrologia, misticismo, nem nada assim. Talvez seja só uma questão de credibilidade misturada com os conceitos pré-moldados que moram em todos nós.
Apelo à todos os progenitores que esqueçam de uma vez por todas as Jennypher´s, as Jackeline Stéphanny´s, os Lucas Caio´s, os Clayton Aleksander´s e afins. Esses pais não terão outra oportunidade igualmente importante de mostrar seu amor.
Antes que alguém mande o macaco olhar o próprio rabo, eu já provei meu amor por Baby Doe. O nome dela é Luísa. Com S e acento, por favor, viu. Eu fico puta quando grafam errado.
E salve todas as Cecílias, Teresas, Glórias, Luísas, Suzanas, Albertos, Pedros e Antônios desse país.
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