Aventuras macabeuzas

Festa estranha com gente esquisita

3 Junho, 2008 · 1 Comentário

Meninos, Meninas e Similares. Calipígios e Onanistas,

Eu só resolvi contar essa história depois de  conta-la em um almoço à Dindi, e nos darmos conta que o relato virou atração na praça de alimentação do shopping.Baideuei, quando contei o ocorrido para John Doe, ele sugeriu que eu seja retirada do convívio social. Já Dindi está comigo e não abre. Façam suas apostas.

Nenhum Dr. De Lamare escreveu um livro sobre maternidade ensinando que, entre panelas no banheiro e bonecas na máquina de lavar, uma Mãe também precisa encarar Festa estranha com gente esquisita.

Explico.

Desde que foi para uma escola nova e maior, Baby Doe têm vivido uma fase meio Ilha de Caras – são pelo menos uns dois convites de festa infantil por quinzena. Claro que a socialite mirim não pode faltar a nenhum dos apontamentos, e eu tenho me revezado com John Doe para que se faça cumprir a agenda.

Há uma semana, um frio Brrrr! daqueles de verdade, e lá vamos nós, rumo a mais uma festinha. Saio de casa, vou no mercado sulista comprado pelos franceses, procurando um presente para alguém que eu nunca vi mais gordo. Ah, um moletom do Mickey? Ótimo, esse serve. Está na promoção. E eu levo grande, se não servir, a mãe do Doe guarda e ele usa ano que vem. Perfeito!

Próxima parada, locadora. Devolvo cinco DVD´s, levo sete para casa. Bom negócio.

Seis quadras depois, chegamos à casa do Aniversariante Doe. Encosto no portão, uma mocinha abre. Em silêncio. Hummmm, estranho. Música de fundo: Guns. Hummmm, estranho. Cinco passos depois descubro que se trata de uma família sem habilidades com Exatas: Dois corpos não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo. Tava fácil contar doze pés por metro quadrado.

Antes do primeiro quarto do primeiro tempo, lá estava eu:

´Baby Doe, vamos embora. Tá frio aqui´. Ao que Baby respondia:

´Não vouuuuu. Só depois que cantar o Parabéns.´

´Bebê, eu comprei leite condensado, vamos embora e em casa eu faço bolo e brigadeiro para você. A gente até canta parabéns, nós duas, em casa, se você quiser´.

´Não vouuuuu. Só depois que cantar o Parabéns.´

Com essa, tirei minha fé da cartola, assoprei o pó, e comecei a pedir que se cantassem o Parabéns logo, dessem um pedaço de bolo para minha esfomeada e… Beijo, tchau.

Mas, como fé pouco usada enferruja e não funciona, não deu certo. A festa começou dezenove e trinta, cheguei às vinte e uma, eram quase vinte e três quando resolveram cortar o bolo.

No meio tempo, descobri que não tinha lugar para sentar. E que, em uma garagem que, acomoda, apertado, um Fiat 147, estavam um pula-pula, uma piscina de bolinhas, uma criança aprendendo a andar, uns cinco meninos jogando futebol e as mocinhas que brincavam no celular enquanto eram pagas, para, supostamente, cuidar das crianças.

Não consegui manter a cara sociável por muito tempo, o que não faz muita diferença, visto que nenhum dos anfitriões apareceu para nos receber. Até tentamos procurar o Aniversariante Doe e seus pais quando chegamos, mas não deu para ir muito longe. Tipo show de rock, que você tenta, tenta, mas não consegue chegar na grade, saca?

Eu só conseguia entoar um mantra, que era mais ou menos assim: ET, minha casa, edredon, sete DVD´s, frio, Brrrr!. ET, minha casa, edredon, sete DVD´s, frio, Brrrr!.

Quase onze da noite, hora do Parabéns. Isso depois que todos os desfiles possíveis e imagináveis de moda odiosa urbana subiram à passarela – dentre as modelos mirins, destaco a garota de doze anos com um piercing pisca-pisca no umbigo. Dentre as adultas que passaram do tempo faz tempo, troféu Clóvis Bornay para a mãe de três vestida de prata, paetê, bota do Peter Pan e cabelo de henna.

Entramos todos, e eu já estava prestes a comemorar o fim do martírio quando descubro que não era um, mas dois aniversariantes e só o Doe amigo da Baby estava postado à mesa. E o outro? Putamerda, cadê o outro para cantar o Parabéns?! Não demora, descubro o outro em uma porta à minha frente, sendo acordado e fantasiado de Mickey pela mãe, em meio aos usuais berros de protesto. Deve ser um saco completar um ano sem falar, e pior, sem falar palavrões. Porque eu realmente posso imaginar tudo o que aquela criança teria dito se pudesse.

O impasse durou uns vinte minutos. Nessas alturas, meu mantra já estava acrescido de tantos xingamentos quanto eu era capaz de lembrar.

Parabéns pra você, nesta data querida, blábláblá ração whiskas blábláblá. Cantaram o bendito Parabéns, Baby Doe pega o pedaço de bolo e vamos sentar lá fora para comer. Frio. Brrrrr!

´Come pra gente ir embora, rápido. ´

Sentada ao nosso lado, está a melhor amiga de primeira série da Baby. Que, ao perceber minha presença, não escondeu o espanto:

´Baby Doe, essa é sua mãe?!´ – olhos fixos em mim.

´É, é sim.´

´Oi, tudo bem com você? Sim, eu sou mãe dela.´

´Oi, oi. Tudo bem. – Vira pro lado – Sua mãe? É mesmo sua mãe?!´ :O :O :O :O

Eu ainda não entendi se o espanto é decorrente da dessemelhança física entre nós ou se vem dos meus aparentes quinze anos. Mas a cena me divertiu pacas.

Dois minutos depois, chega a mãe da espantada para pega-la. Gostei dela, bacana mesmo. Conversa vai, conversa vem, ela diz:

´Ah, tá indo? Eu te deixo em casa. Você não mora na Rua XXX, primeira quadra, em frente à lombada?

´Ahn, hein? Moro, mas… Você sabe… meu endereço… Hããã…Sbrubbles…. De qualquer maneira, é a duas quadras daqui, está tranqüilo.´

´Ah, desculpa. Sei sim onde você mora. É que esses dias, a minha Doe tava no telefone com a sua Doe e elas estavam trocando endereços, com ponto de referência e tudo, marcando um lanchinho uma na casa da outra.´

´Ahhhh, tá… Eu entendeu. Então, se é assim, sua Doe está convidadíssima para o lanchinho.´

Pois é, pessoas. Fui em festa estranha com gente esquisita, para descobrir que minha maternidade espanta até criança de sete anos e que a minha Doe já usa o telefone para passar horas falando blábláblá ração whiskas blábláblá.

Um beijo para minha Mãe, pro meu pai e pra você. E na próxima festa de Caras, quem vai pagar o mico é John Doe.

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1 resposta Até agora ↓

  • Flaming00 // 3 Junho, 2008 às 8:38 pm | Responder

    O que mais me ‘pasmifica’ é que Renato Russo jamais deve ter imaginado, mesmo no seu devaneio mais maluco, que sua descrição para uma festa cheia de universitários barbudos fumando maconha fosse ser utilizada para descrever uma festinha de aniversário de criança. O mundo É estranho.

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